Confronto Ronaldo-Podolski
Não é fácil inventar suportes anímicos que sirvam de pilares a uma construção em mau estado de conservação…motivacional.
O jogo do 3º e 4º lugares está historicamente condenado a ser um confronto de menor expressão, marcado muito mais pelo desencanto de quem falhou o objectivo maior, do que pela consolação de uma posição apenas honrosa.
O trajecto das equipas como que se torna irrelevante, ainda que o acesso ao pódio não deixe de ser um prémio – mas sempre um prémio pequeno e triste para quem sonhara mais alto. Não há consolação que contemple a frustração de não poder discutir o título, de se ter afogado à beira da praia encantada.
Esse sentimento de ausência gera um natural esvaziamento de alento, uma espécie de ritual de luto pela «morte» do sonho mais lindo alguma vez sonhado. E não são apenas os jogadores a experimentar esta amálgama de desconforto e desilusão, também os treinadores a têm de suportar, embora estes com a obrigação de superarem as suas próprias fragilidades emocionais, guardadas para momentos de solidão que, se calhar, os fazem sofrer desumanamente. Os treinadores, antes de exercerem o seu ofício técnico, têm se ser actores, representando um papel superior que os leve a esquecer o passado mais recente, levando os jogadores a encararem o (novo) jogo como se fosse o mais importante. No fundo, sentem a obrigação de impor aos jogadores a alegria que os leve a disfarçar o «jogo dos tristes».
Há muito que se discute a utilidade deste jogo, para lá do que verte do alinhamento dos lugares cimeiros. O objectivo prioritário é apenas o de engordar os já anafados cofres da FIFA, ainda que, por arrastamento, também o «bolo» que se atribui às diferentes selecções aumente, embora as equipas que discutem o 3º e 4º lugares recebam exactamente a mesma saborosa fatia de 13,6 milhões de euros.
Por «artes e ofícios», a FIFA – terá sido por acidente?... - acabou por arquitectar um suplemento de expectativa e interesse em redor do jogo de hoje – o frente-a-frente entre Ronaldo e Podolski, os homens que discutiram o prémio do «melhor jogador jovem» do Mundial e que, como se sabe, com total ausência de pudor, foi desviado do alcance do português. Tratou-se daquilo a que na gíria se chama de uma «falta grosseira» com a assinatura de quem manda no futebol.
Fazer do «jogo dos tristes» mais um motivo de alegria para os portugueses é o que se pede à nossa selecção. Em Estugarda está enfeitado um novo altar para a nossa crença.
O jogo do 3º e 4º lugares está historicamente condenado a ser um confronto de menor expressão, marcado muito mais pelo desencanto de quem falhou o objectivo maior, do que pela consolação de uma posição apenas honrosa.
O trajecto das equipas como que se torna irrelevante, ainda que o acesso ao pódio não deixe de ser um prémio – mas sempre um prémio pequeno e triste para quem sonhara mais alto. Não há consolação que contemple a frustração de não poder discutir o título, de se ter afogado à beira da praia encantada.
Esse sentimento de ausência gera um natural esvaziamento de alento, uma espécie de ritual de luto pela «morte» do sonho mais lindo alguma vez sonhado. E não são apenas os jogadores a experimentar esta amálgama de desconforto e desilusão, também os treinadores a têm de suportar, embora estes com a obrigação de superarem as suas próprias fragilidades emocionais, guardadas para momentos de solidão que, se calhar, os fazem sofrer desumanamente. Os treinadores, antes de exercerem o seu ofício técnico, têm se ser actores, representando um papel superior que os leve a esquecer o passado mais recente, levando os jogadores a encararem o (novo) jogo como se fosse o mais importante. No fundo, sentem a obrigação de impor aos jogadores a alegria que os leve a disfarçar o «jogo dos tristes».
Há muito que se discute a utilidade deste jogo, para lá do que verte do alinhamento dos lugares cimeiros. O objectivo prioritário é apenas o de engordar os já anafados cofres da FIFA, ainda que, por arrastamento, também o «bolo» que se atribui às diferentes selecções aumente, embora as equipas que discutem o 3º e 4º lugares recebam exactamente a mesma saborosa fatia de 13,6 milhões de euros.
Por «artes e ofícios», a FIFA – terá sido por acidente?... - acabou por arquitectar um suplemento de expectativa e interesse em redor do jogo de hoje – o frente-a-frente entre Ronaldo e Podolski, os homens que discutiram o prémio do «melhor jogador jovem» do Mundial e que, como se sabe, com total ausência de pudor, foi desviado do alcance do português. Tratou-se daquilo a que na gíria se chama de uma «falta grosseira» com a assinatura de quem manda no futebol.
Fazer do «jogo dos tristes» mais um motivo de alegria para os portugueses é o que se pede à nossa selecção. Em Estugarda está enfeitado um novo altar para a nossa crença.

