Joaquim Rita no Mundial: Costinha deixou o desemprego

Segunda-feira, Junho 19, 2006

Costinha deixou o desemprego

O futebol é tão sublime nos seus inesgotáveis encantos que não raras vezes perde a memória ou, pelo menos, deixa-se trair por alguns lapsos mentais, como se toda a verdade se situasse na análise de cada momento e, sobretudo, do que transpira de cada resultado. Há como que uma tendência para reagir em função do desfecho dos jogos, como se todo o «recheio» que os tornou possível de pouco ou nada valesse – só o resultado vale a pena.
Portugal vive o seu futebol mundialista extremado entre duas ideias. Para uns, só ganhámos dois jogos porque os adversários «impunham» que assim sucedesse; para outros, as duas vitórias reflectem uma melhoria que, sem ser galopante, nos pode levar até onde os sonhos nos empurrarem.
Sabe-se de cor e salteado que as análises aos «fabricos» exibicionais têm, muitas vezes, uma afectação analítica que decorre da simpatia ou antipatia que Luís Filipe Scolari institucionalizou ao assumir o cargo de seleccionador e que, pontualmente e sem cerimónia, foi reforçando em função de posições de intransigência evidente que muitos classificam de teimosia ou mesmo de casmurrice. Este é um tema tão estafado quanto indiferentemente assumido pelo «Felipão».
No passado recente, travessuras dos futebóis colocaram entre as mãos do seleccionador um tema melindroso – Costinha. Integrando(?) um clube que o excomungara há vários meses, sem qualquer competição , sem habituação ao esforço de cada jogo e de todos os jogos, Costinha, pese as exuberantes provas demonstradas ao longo de uma carreira porventura mandriona no seu despertar, sentia à sua volta um clima de desconfiança – talvez, até, de legítima desconfiança. «Alérgico» a recados, indiferente à (i)lógica que «aconselharia» não convocar um jogador no desemprego, Scolari não abdicou do seu equilibrador, do mais culto dos jogadores portugueses do ponto de vista estratégico—táctico-posicional.
Fazendo a «pré-época» nas «peladas» contra Cabo Verde e Luxemburgo, Costinha depressa adquiriu o ritmo competitivo que lhe negaram ao longo da época e, contra o Irão esteve apenas soberbo.
Com razões de contentamento a verterem da vitória e da certeza do acesso aos oitavos-final, o jogo com os iranianos projectou um «vencedor» especial – Costinha. Abençoada teimosia de Scolari…

1 Comentários:

Anonymous Paulo Alves disse...

Epá... finalmente um comentador crítico a elogiar a teimosia de Scolari... Sim mas deste não me surpreende pois é um jornalista com provas dadas. Contudo pena é que outros comentadores também da área jornalística continuem firmes e hirtos no ataque continuo ao nosso seleccionador até porque ao longo deste ultimos tempos em que a informação jornalística sofre do mal do mediatismo e como tal mesmo os jornalistas que nos deveriam informar limitam-se a shows mediáticos cheios de sobranceria sempre à espreita de virem a ter razão nos seus comentários caso contrário lá se muda de opinião mas sem nunca dar o braço a torcer, não é Sr. Rui Santos?!
Mas mesmo assim estes não saõ os piores, pois aqueles que de futebol entendem tanto como todos nós quando do tema falamos no café, só com a diferença que estes são pagos por programas para emitirem opiniões desatrosas esses então não consigo adjectivar. Pena é ver um canal público para o qual todos nós somos obrigados a contribuir monetariamente, pagar somas chorudas a 3 pseudos comentadores que ainda por cima criam ódios de estimação na tentativa de assim ganahrem audiências e como tal não perderem os chorudos cachets que ganham. reparem no ar entendido com que criticaram o "célebre calor" do estágio para depois estar frio... saiu-lhes furada a teoria. Depois a desatrosa exibição frente à fraquissima Angola... a mesma que empatou com o México... mais um furo.
Isto para não nos esquecermos que o Costinha estava a mais pois quem ouvisse estes "entendidos" este excelente jogador nem correr iria conseguir. Mas ainda não satisfeitos com tanta falta de ponataria ontem ainda havia um que justificava este sucesso de Portugal com o facto destes jogadores terem sido treinados por Mourinho... Francamente. Tenham vergonha e quando quiserem falar de futebol falem no vosso circulo de amigos e não cobrem à televisão de todos nós, aquela para a qual somos obrigados a contribuir, cachets para tanto disparate emitirem e ainda por cima não darem a mão á palmatória e ainda fazerem ar de parvos de meninos amuadinhos pois tudo lhes está a sair ao contrário... não é Sr. Jorge Gabriel?!
Mas como tudo isto gira em torno dos jogos de futebol se Portugal tiver o azar de perder um jogo só que seja nem que seja na final iremos ver todos estes experts com ar triunfal dizendo: Eu não disse... eu cá nunca me engano estava a ver tudo isto há muito tempo...

5:38 PM  

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