Falta de Respeito
Para a história sobrará um jogo heróico, com um triunfo amassado em coragem, sofrimento e inteligência. Mas da heróica jornada de Nuremberga resvalam outros fragmentos que nos fazem reflectir sobre a nossa dimensão no mundo do futebol ou, para sermos mais objectivos, no respeito – ou falta dele… -, com que somos vistos nos bafientos e carunchosos bastidores das grandes instituições que gerem o mais excitante, sedutor e espectacular desporto colectivo.
Há um absurdo, «teimoso» e, pelos vistos, inultrapassável fosso a separar aquilo que os intérpretes portugueses produzem - quaisquer que sejam as camisolas que vestem - e a (in)consequente desconsideração com que somos olhados. Assemelha-se a uma fatalidade e, sem pacóvios complexos de perseguição, o jogo com a Holanda acabou por desnudar aspectos merecedores de profunda ponderação.
Nunca são legítimos processos de intenções, menos ainda em jornalismo. Vamos aos factos que, inevitavelmente, tiveram o árbitro russo Valentin Ivanov no eixo da polémica:
- a entrada ASSASSINA de Boulahrouz sobre Ronaldo, logo na alvorada do jogo (oito minutos), acontecida na sequência de uma anterior, também violenta de Van Bommel (dois minutos), inseria-se ou não num processo de INUTILIZAÇÃO pura e simples do mais temido dos jogadores portugueses, havendo por parte dos holandeses a «presunção» de que, nos minutos iniciais, a «amplitude» das leis contemplava, numa mesma medida, brutalidade (holandesas) e generosidade (do árbitro)?
- a impensável expulsão de Deco, sequente a um agarrão prolongado por parte de Cocu, inseria-se num propósito de «despachar» do jogo e, por arrastamento e «conveniência», do jogo seguinte, o mais influente jogador português no plano estratégico-organizacional-ofensivo?
Nem sequer será legítimo invocar que as duas situações ocorreram em fases melindrosas do jogo ou que radicaram de dificuldades visuais para o juiz de campo. Nenhum destes argumentos pode ser invocado quanto mais não seja por duas razões:
- porque o árbitro viu e puniu a violência de Boulahrouz com a benevolência de quem se quer candidatar a um qualquer prémio laranja de simpatia;
- porque o árbitro viu a infracção de Cocu sobre Deco, preferindo ignorar o pecado original, para só agir perante o «ofendido» que, no entender do árbitro, não fora rápido a largar a bola.
Qualquer que seja o destino deste árbitro – a erradiação seria a medida mais justa, adequada e proporcional aos malefícios exibidos e que só não foram irremediáveis para Portugal porque os nossos jogadores decidiram revoltar-se e assumir o papel de heróis -, a gloriosa jornada de Nuremberga provou a nossa pequenez no conceito do grande futebol. Aquilo que o árbitro «montou» não teve a suportá-lo a chancela da sua comprovada incompetência, mas antes a extrema falta de respeito pela selecção portuguesa. Não basta a admiração que os jogadores portugueses suscitam – é importante que os respeitem. O árbitro não foi inocente…
Há um absurdo, «teimoso» e, pelos vistos, inultrapassável fosso a separar aquilo que os intérpretes portugueses produzem - quaisquer que sejam as camisolas que vestem - e a (in)consequente desconsideração com que somos olhados. Assemelha-se a uma fatalidade e, sem pacóvios complexos de perseguição, o jogo com a Holanda acabou por desnudar aspectos merecedores de profunda ponderação.
Nunca são legítimos processos de intenções, menos ainda em jornalismo. Vamos aos factos que, inevitavelmente, tiveram o árbitro russo Valentin Ivanov no eixo da polémica:
- a entrada ASSASSINA de Boulahrouz sobre Ronaldo, logo na alvorada do jogo (oito minutos), acontecida na sequência de uma anterior, também violenta de Van Bommel (dois minutos), inseria-se ou não num processo de INUTILIZAÇÃO pura e simples do mais temido dos jogadores portugueses, havendo por parte dos holandeses a «presunção» de que, nos minutos iniciais, a «amplitude» das leis contemplava, numa mesma medida, brutalidade (holandesas) e generosidade (do árbitro)?
- a impensável expulsão de Deco, sequente a um agarrão prolongado por parte de Cocu, inseria-se num propósito de «despachar» do jogo e, por arrastamento e «conveniência», do jogo seguinte, o mais influente jogador português no plano estratégico-organizacional-ofensivo?
Nem sequer será legítimo invocar que as duas situações ocorreram em fases melindrosas do jogo ou que radicaram de dificuldades visuais para o juiz de campo. Nenhum destes argumentos pode ser invocado quanto mais não seja por duas razões:
- porque o árbitro viu e puniu a violência de Boulahrouz com a benevolência de quem se quer candidatar a um qualquer prémio laranja de simpatia;
- porque o árbitro viu a infracção de Cocu sobre Deco, preferindo ignorar o pecado original, para só agir perante o «ofendido» que, no entender do árbitro, não fora rápido a largar a bola.
Qualquer que seja o destino deste árbitro – a erradiação seria a medida mais justa, adequada e proporcional aos malefícios exibidos e que só não foram irremediáveis para Portugal porque os nossos jogadores decidiram revoltar-se e assumir o papel de heróis -, a gloriosa jornada de Nuremberga provou a nossa pequenez no conceito do grande futebol. Aquilo que o árbitro «montou» não teve a suportá-lo a chancela da sua comprovada incompetência, mas antes a extrema falta de respeito pela selecção portuguesa. Não basta a admiração que os jogadores portugueses suscitam – é importante que os respeitem. O árbitro não foi inocente…

3 Comentários:
Foi deprimente, uma batalha, um sofrimento para quem estava no campo e para quem assistia pela televisão. O Felipão estava completamente esgotado e desconcentrado numa entrevista logo em seguida à partida. Tirando minha decpção com Costinha, que deveria difundir sangue frio e experiência, acho que a seleção suportou bem a violência e provocação dos jovens inexperientes holandeses. Fiquei satisfeito também com a solidez da disposição tática, sabendo atacar e defender com ordem. Enfim, a seleção tem todas as condições de passar pelos ingleses, só temo o confronto com o Brasil, mas adianto: se a seleção não se apequenar diante dos atuais campeões e jogarem com sangue frio, podem muito bem ganhar do Brasil que no momento não apresenta disciplina e organização; há divisão no elenco e Parreira insiste em jogadores cujo preparo físico deixa a desejar.
Eu que tanto tenho escrito sobre comentadores pretensiosos e jornalistas propotentes, quero aqui realçar que as criticas que faço é em relação a uma minoria qunado de jornalistas falo, diria até duma "mínima minoria". Pois que fique aqui bem claro que em relação a jornalistas à realmente uns, que geralmente são aqueles com ar sobranceiro e duma arrogãncia desmedida, que com uma vontade imensa de triunfar esquecem o esencial da sua profissão. Mas a maioria desta classe profissional é realmente de valor inagualável mesmo nas críticas que faz, magoe quem magoar essa é a função destes cidadão cujo o profissionalismo é notório. Exemplo disto é este texto do Sr. Joaquim Rita, que quer concordemos ou não (no meu caso nem concordo plenamente) tenta fazer um trabalho isento na busca da verdade sobre os factos.
Parabéns Profissionais da comunicação social (bem mas nada de exageros este elogio é somente dedicado aos jornalistas e não aqueles comentadores que de futebol pouco ou nada têm para contribuir para uma melhor informação sobre este desporto/espectáculo fabuloso, e mesmo encarados enquanto adeptos, sendo figuras públicas, pouco fazem para esclarecer e apaziguar "guerrilhas", incendiando até em muitos dos aspectos inerentes ainda por cima com falsas questões, que somente denigrem e estragam este desporto que é considerado como rei.)
Força Portugal vamos até ao fim com a ombridade, carácter e determinação que eu jamais tinha presenciado, pois em 66 era ainda uma criança.
Foi sofrer até ao último minuto...
Sempre foi assim nos piores momentos...
Mas soube tão bem beber um suminho de laranja no fim do jogo depois de as termos espremido...
Força selecção...
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