Joaquim Rita no Mundial: Jogadores com "Cara de Pau"

Quarta-feira, Junho 14, 2006

Jogadores com "Cara de Pau"

As Conferencias de Imprensa diárias das selecções podem ter tanto de úteis e esclarecedoras, como de fastidiosas e enfadonhas. Essa «ponte» entre a selecção e o público tem como «pilares» a natureza das questões colocadas pelos jornalistas e a receptividade dos visados.
A pressão entre as equipas presentes numa grande competição não pode, todavia, servir de motivo para a forma como alguns jogadores participam nas Conferencias de Imprensa, como se violentados na própria vontade, como se esse contacto tivesse o efeito inconcebível de uma tortura.
A experiência colhida e absorvida pelos jogadores nos grandes palcos do futebol europeu dever-lhes-ia ter dado a perceber que esses minutos, sem serem de convívio ou de cavaqueira, se inserem num quadro de trabalho que tem a ver com a promoção, divulgação e aglutinação que deve ser feita em torno da selecção e da qual ninguém está isento e, muito menos os jogadores – porque são eles quem mais dividendos extraem – ou podem extrair, quer no plano pessoal, quer profissional…- dos resultados que forem conseguidos.
A convocação não pode ser vivida, em simultâneo, como motivo de orgulho e factor de desespero, nem o contacto com os jornalistas pode traduzir-se por um frete, por um castigo, por uma penitência, mesmo reconhecendo o incomodismo de algumas questões, quando não mesmo o despropósito de outras tantas. Tão pouco os jogadores ou treinadores se podem sentir «agredidos» quando algumas questões surgem «embrulhadas» de modo mais especulativo. Comparativamente com a agressividade da generalidades dos Media internacionais, os jornalistas portugueses não passam de meninos de coro. …Será talvez por isso, por estarem mal habituados, que alguns dos nossos jogadores se apresentam com «cara de pau» no contacto com os jornalistas.
Definitivamente: jogadores e treinadores não podem esperar que os jornalistas transformem exibições medíocres em exaltações exibicionais. Se outras razões não houvesse - e existem, quanto mais não seja no plano ético e moral! -, o povo não se deixa enganar com uma qualquer lenga-lenga. O tempo de vender gato por lebre está definitivamente esgotado. …Ou deveria estar, porque jornalismo não significa submissão, subserviência, compadrio, embora tenhamos de reconhecer que existem miseráveis excepções…

3 Comentários:

Anonymous Alexandre disse...

Caro Joaquim Rita, até concordo que é uma obrigação dos jogadores e treinador darem entrevistas e explicações, sem se sentirem agredidos sob certas questões. Mas eu concordo com o Scolari, que poucos jornalistas se comportam como profissionais, antes disso não se informam e se portam como torcedores amplificados. Veja o Brasil, sua primeira exibição. Foi boa? Para mim, sim, excetuando o caso do Ronaldo. Porque o jogo não era fácil, era o primeiro e, como eu já disse em outra oportunidade, há seleções aventureiras e outras que planejam a longo prazo, que não podem expor imediatamente seus esquemas e seus jogadores mais preciosos. O que seria dos Quinas, caso o Figo, ou Deco, ou Cristiano Ronaldo se lesionassem? Vamos com calma, o que importa é a vitória para se poder chegar às oitavas, quartas, etc, com uma equipe bem ajustada e inteira.

11:35 PM  
Anonymous Anónimo disse...

acho muito bem julgar a postura de jogadores e treinadores. Mas e a dos jornalistas? Nõ serão as perguntas enfadonhas e previsiveis? Não deveriam tb os jornalistas serem avaliados em público?

11:34 AM  
Anonymous Anónimo disse...

Os jornalistas portugueses, alguns dos quais de futebol nunca cheiraram nem a bola, deviam estar caladinhos e meter a viola no saco.
Portugal tem sido uma das melhores selecçoes do mundial, a exibiçao com o Irao roçou a perfeiçao tecnica e tactica .
Tomem e embrulhem e calem-se por favor.

1:51 PM  

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