Joaquim Rita no Mundial: Tão Longe e Tão Perto

Quinta-feira, Junho 22, 2006

Tão Longe e Tão Perto

O luxo requintado do apuramento para os oitavos-de-final, sem as habituais e viciantes angústias de última hora, envolve o risco de confundirmos OBJECTIVO com OBRIGAÇÃO.
A forma desempoeirada como vergámos os três obstáculos que se ergueram no nosso caminho tenderão a exercer entre muitos portugueses uma presunção de qualidade de jogo que, se calhar, está a quilómetros da realidade. A cultura de sofrimento a que nos fomos acostumando e nos levou a conviver com adiamentos sucessivos nas grandes decisões, corre o risco de se transformar numa alavanca de desproporcionada euforia, como se, a partir de agora, a presença na final – ou até a conquista do título… -, fosse tão apenas a derradeira estação de um percurso que tem como apeadeiros os três jogos que antecedem a festa de Berlim.
Sejamos claros:
Portugal construiu com intocável mérito o acesso aos oitavos-de-final, sem que as exibições realizadas tenham sido particularmente entusiasmantes ou de qualidade empolgante. É nesta possível ou até mesmo previsível confusão que o futebol português não se deve «lambuzar», com a euforia acumulada por três vitórias «naturais» nos retire a lucidez, ao ponto de não reconhecermos três coisas: -o apuramento – como 1º ou 2º no grupo – assumia aspectos de uma… fatalidade; - a qualidade (global) de jogo evidenciada, sem nos envergonhar, esteve distante de deslumbrar; -é inevitável um acelerado crescimento produtivo para, com maiores ou maiores dificuldades, nos desembaraçarmos dos bons «clientes» holandeses.
Com as desculpas a todos aqueles que sustentam que, ter opinião, é sinónimo de «oposição militante», sejamos honestos: a «dimensão» do futebol que exibimos nos três jogos anteriores só por milagre – da Senhora de Fátima ou da Senhora do Caravaggio… - chegará para espremermos a laranja holandesa. Se, leviana, insensata e pacóviamente nos deixarmos convencer que a «limpeza» que fizemos na primeira fase nos qualifica como «selecção imbatível», estaremos ambiciosa e despropositadamente a olhar para LONGE sem vermos o que nos aconteceu tão PERTO.
E, com todo o respeito por opiniões divergentes, a melhor forma de vencermos as DIFICULDADES que nos esperam será não ignorarmos as FACILIDADES que acabámos de ultrapassar…

3 Comentários:

Anonymous Alexandre disse...

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra! Acho que o caminho de Portugal é bem difícil, pois, em termos de adversários, temos a Holanda nas oitavas e provavelmente a Inglaterra nas quartas. Comparativamente, tomemos como exemplo o caso do Brasil: Gana nas oitavas e provavelmente a Espanha nas quartas. Sinceramente, um caminho bem mais fácil.
Entretanto, penso que tirando um eventual confronto com as superpotências atuais do futebol - Brasil, Argentina, Alemanha e a titubeante Itália, Portugal é favorito. Tem muito mais volume de jogo, disciplina tática e solidez do que todas as outras seleções. Como o futebol é um esporte em que nem sempre o favorito ganha, não é nenhum absurdo pensar que Portugal tem, sim, plenas chances de chegar à final.

12:24 AM  
Anonymous Ramiro Santos disse...

Pois eu cá acho que o mentor do blog tem razão. Preocupam-me, particularmente, as debilidades defensivas exibidas por todos os jogadores desse sector, sem excepções. Mas, também, o certo é que até agora nenhum dos adversários convidava a grandes empolgações. Pode ser que os defesas portugueses mudem de atitude, quando tiverem pela frente van Nistelroy, Robben e van Persie.Eu repito, van Nistelroy, Robben e van Persie. Embandeirar em quê?

1:03 PM  
Anonymous Paulo Alves disse...

Perfeitamente de acordo, e eu sou daqueles que critico quem, constantemente faz "críticas" à selecção, mas ´leia-se críticas despropositadas, e principalmente vindas de quem de futebol percebe tanto como o vulgar adepto (senão menos) e não vindas por profissionais do mundo do futebol e do jornalismo, mas relativamente a estes últimos somente acho despropositado aqueles que colocam uma pose de grandes mestres e depois criticam tudo e mais alguma coisa muitas das vezes a "roçar" uma propotência exarcebada. Não é o seu caso sr Joaquim Rita. Até porque em relação a esta sua observação estou completamente de acordo, como igualmente concordo que todos somos livres e talvez por parte dos jornalistas até haja obrigação em dar a opinião. Agora francamente, andar a fazer grandes teses sobre as condições climatéricas do estágio da selecção e andar-se constatemente a denegrir o bom jogador que é o Meira comparando-o ao fora de série Jorge Andrade, tal qual o têm feito o painel dum programa da RTP designado por adeptos mas que colocam um ar de super entendidos que dizem alguma "barbaridades acerca do seleccionador e depois amuam quando este lhes responde da mesma forma sobre a actividade profissional deles... mais, ver um "super entendido em futebol" como é o caso do seu colega Rui Santos constantemente a denegrir a selecção só falando dos pontos fracos e nunca visando nas suas crónicas as coisas boas que existem e depois publicar que o seleccionador tinha que revelar mais pormenores sobre as opções técnicas/tácticas antes dos jogos é realmente algo que não consigo adjectivar. Será que o que ele quereria seria ter mais dados para depois se colocar, com aquele ar de entendido, a ser um grande "adivinho"?!
Bem... agora ler opiniões tais como esta que é sua estou não só de acordo que é legítimo independetemente de concordar ou não, e neste caso até concordo.
Bem Força Portugal pois apesar de concordar com todos estes receios bem à portuguesa direi que a esperança é a última a morrer e estou esperançado que ultrapassaremos este dificilimo obstáculo.

6:30 PM  

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